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Recorda-me, na FAUP, um professor de desenho, pintor de formação, e orientador da cadeira de desenho, que tive a sorte ter a cargo a minha “turma” (Joaquim Vieira), afirmar, a jeito de brincadeira, “que os Arquitectos, fazem tudo a preto e branco, porque não percebem nada da cor”. A brincar ou não, nunca mais esqueci, nem o comentário, nem o que aprendi com ele, e a sua capacidade de nos fazer entender, a importância do desenho para o projecto, e sobretudo a capacidade que tinha para aproveitarmos as nossas melhores qualidades. De facto sinto-me um sortudo com a maioria dos professores que tive.
Passados. Estas décadas todas, ainda me recordo o comentário, quase maldoso do Mestre Joaquim Vieira….E de facto, o cinzento continua a predominar….É o Branco, e o preto mas acaba sempre tudo muito “cinzento”, cinzento, de conformismo, com uma receita, que predomina. Incomoda-me e irrita-me o “carneirismo” de ir tudo no mesmo sentido desde que politicamente correto…..Agora a vontade de usar a cor é cada vez mais forte…
Aproveitei a encomenda de um bifamiliar, com um programa ambicioso, e que se queria de referência para a firma que trabalhava connosco pela primeira vez, hoje são clientes fidelizados a este escritório.
Propus um tema para o projecto , Mondrian, o pintor….O projecto tinha que reflectir a identidade do trabalho deste artista, como que se de repente este tivesse que construir uma casa.
A adesão só se constatou quando a obra estava concluída e habitada, a reserva dos compradores em relação ás cores, no inicio foi de forte rejeição, mas a solução das duas habitações , era demasiada “apelativa” para excluir, e a interacção dos espaços, sempre com pequenos pormenores, e “surpresas”, e a extrema simplicidade de uso e agradabilidade de uso, deixou a cor , que era sempre vista com alguma desconfiança. Assim que a obra ficou concluída, a cor era de facto “a cereja no topo do bolo”.
O agrado foi geral, e mais uma vez, uma sensação agradável de desenhar algo único, com identidade muito afirmada e do agrado e aceitação geral.
Sempre o mesmo “mote”, primeiro estranha-se…depois entranha-se….
Por vezes, explicar não chega é preciso esperar pela conclusão para que a percepção e os sentidos, concluam o processo.