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Foi um processo muito interessante, pois os objectivos dos donos de obra coincidiam com as intenções e opções estéticas para o local, o acaso de um dos donos ser amigo, acho que nada teve a ver.
As soluções, por mais loucas que parecessem eram aceites, não imediatamente mas quase, bastava, justificar desenhando a solução em esquiço, sempre articulando e deixando a perceber a inter-relação entre espaços.
Curiosamente e já estava o projecto pronto, vim a aperceber-me que a casa onde o casal morava tinha sido projectada por mim em parceria com um colega, descobri ao ver fotos numa imobiliária, que apesar de serem discretas, imediatamente identifiquei os pormenores que as fotos permitiam observar.
A volumetria e parte do programa era idêntico, com excepção do último piso, como fazia parte de um loteamento em banda, não tive a oportunidade de interagir com todos os proprietários.
Foi dos primeiros projectos que fiz, e consistia no que inicialmente os promotores queriam era um condomínio privado, por motivos de opção camarária, não foi possível ir por esse caminho.
Partilho em absoluto a postura da câmara da altura de rejeitar este tipo de soluções, pois corre-se o risco, de “retalhar” o espaço urbano com guetos, neste caso para os mais favorecidos…
Actualmente a rua da Quinta da Marina, que curiosamente foi o nome que sugeri ao promotor do loteamento, foi “adoptado” pelo município, após questionar o loteador. Já me posso gabar de ter baptizado, mesmo que involuntariamente uma rua.
O nome surgiu, porque o arruamento do loteamento tinha ligação directa com a marina projectada para o local, creio que nos anos 80.
Por questões “ambientais” , que tenho dificuldade em perceber o projecto foi abandonado, creio que este teve para ser retomado , não fosse a falência do financiador , um banco.
Uma pena pois, tendo características para receber barcos de recreio de porte razoável, os benefícios económicos para a região acho que não eram de ignorar. Os meios e capacidade financeira, de quem usa estes equipamentos é de ter em conta.
Pena que o promotor não tenha avançado com a edificação e tomado a si todo o loteamento com a construção na totalidade das moradias, tal ia permitir uma imagem coerente entre estas, valorizando a rua com uma identidade coerente e muito própria. A venda de lotes , a terceiros, e muitas vezes revenda dos mesmo, fez com que a autoria dos edifício fosse entregue a profissionais que não entenderam a valorização que uma uniformização, embora com variantes , era a melhor solução.
Mesmo o município, está com alguma dificuldade em gerir, posturas de desenho e projecto diferentes das originais.