Está aqui

A primeira realizada numa altura em que os arquitectos eram considerados
dispensáveis, mais por ignorância do que por motivos de custo.
Embora a construção tenha atraído muitos “pseudo-construtores” que em
Lisboa apelidam de “patos bravos” isto é pessoas apenas preocupadas em
enriquecer muito depressa valendo tudo, no fundo de construtores nada têm, e
deram à actividade muito má imagem.
Esse tipo de investidor por ser barato e por “fazer o que eu quero” muito
próprio do “Self-made-men” recorre ao curioso , esse também
“pseudo-desenhador” normalmente funcionário camarário ou com
conhecimentos privilegiados nas Câmaras.
Curiosamente parte desses curiosos , estão inscritos em Escolas de
Arquitectura particulares (pois nas oficiais é preciso ter médias elevadas
) para poderem "assinar" no futuro aquilo que fazem , pois os Engenheiros já
deixaram de o fazer.

Lamenta-se a inexistência de exclusividade por parte dos funcionários
camarários, que pelo menos "minimizava" as situações obscuras, ou melhor
separava o trigo do joio.
Foi nesta realidade “terceiro mundista” que diga-se ainda hoje não mudou
muito… (arquitecto sofre) que a encomenda foi feita por uma empresa de
construção (abençoados!).
As condicionantes foram muitas pois ao que parece tinham segundo estes
tiveram uma “má” experiência anteriormente com Arquitectos, estava
assim muito “controlado” e tive que ter um papel de muita diplomacia,
psicologia e persuasão à mistura.

Foi obrigatório o uso de, telhado com telha de aba e canudo, estores
exteriores, tijoleira de fita, varandas, etc.
A encomenda constava de dois lotes um de gaveto e constava de duas moradias
unifamiliares com uma tipologia T4 sendo um dos quartos no piso térreo.
Apesar das condicionantes foi uma bênção tal encomenda, a preocupação
foi responder com um desenho com referências a Alvar Aalto, Frank Lloyd
Wright, Fernando Távora, professor no Porto e referência sempre presente.
Uma das diferenças são as exigências e regulamentações que são agora
muito superiores e exigentes.

Neste caso apesar de ainda a competência não ser o factor prioritário para
a entrega da encomenda de obras de Arquitectura, (por vezes interesses levam
outros critérios a ser mais decisivos).
Apesar disso os projectos anteriormente realizados e o sucesso imediato que
obtiveram foi factor para a entrega da encomenda, aqui a partilha com o
construtor de referências de qualidade quer arquitectónica quer de
construção fez uma parceria de sucesso.
Aliado a isso temos também a vontade de inovar, tanto no programa, como na
estética e solução global.
Curiosamente o programa é o mesmo o posicionamento dos quartos no piso
superior e o piso térreo também é muito idêntico, no primeiro caso já
se nota a procura por espaços fluidos, que no segundo caso é claro.