Está aqui

A pandemia fez repensar a forma de habitar, ver as pessoas confinadas à sua habitação durante meses, e muitas em teletrabalho, mudou o modo de encarar os espaços a que chamamos habitação.
Curiosamente, a azáfama de trabalho que os construtores tiveram, que cresceu vertiginosamente nestes tempos. Muitas alterações foram feitas, pelos proprietários, era um tal partir paredes para ampliar espaços, a valorização dos espaços com uma ligação interior exterior nunca foi tão valorizada.
Se nas moradias a questão foi mais pacífica, nos espaços urbanos a questão revelou-se mais complicada. Felizmente, as tipologias mais baixas, nunca foram tão desprezadas e quase amaldiçoadas pelos seus utilizadores.
Na minha opinião, ainda bem.
As cidades estão a ser transformadas e invadidas por espaços de áreas mínimas, em muitos casos, nem a área mínima regulamentar cumprem, o T0, no máximo T1, tão do agrado dos investidores, empurram as famílias para as periferias, tornando as cidades, desinteressantes, e vazias da riqueza humana e diversidade de todo o tipo que é o que faz uma urbe.
A varanda e o terraço ganharam uma importância quase vital.
No fundo obrigou a uma reflexão do que é habitar, e como as cidades podem reagir a esta nova realidade.

No fundo, o arquitecto que é um agente também promotor da saúde pública, tem uma oportunidade para repensar, como serão as casas do futuro.
Verificou-se uma procura exponencial das moradias, o nos apartamentos a aversão a espaços mínimos, sem zonas exteriores.
Será que é desta forma que se volta a ter a diversidade de oferta das tipologias, habitacionais, onde as famílias desde as monoparentais até às maiores, regressam às cidades, enriquecendo-a, e tão bom que era o regresso do comércio tradicional. As grandes superfícies, esvaziam e secam as cidades, muitas vezes deslocalizando o centro das mesmas para estes espaços, impessoais, formatados, e iguais em todo o lado, e iguais em todo o lado “formatadas” para o consumo em massa, e trituradoras das tradições e valores culturais regionais, assim como a relação entre as pessoas e as comunidades.

Talvez seja o momento ideal para os profissionais da arquitectura reflectirem sobre a forma e conteúdo dos edifícios de habitação.

Serão as casas do futuro células, onde se vai organizar toda a vida humana, desde o trabalho , ao exercício físico, vai ser algo mais do que o local da vida doméstica? E como se articularão estes espaços com as cidades? Irão ter espaços para o cultivo de produtos destinados ao consumo caseiro?

Interessante e motivador quer na teorização quer nas experiências que certamente surgirão, para responder a esta questão.

Uma grande vantagem teve, percebeu-se que os arquitectos são agentes de saúde publica tão importantes como os médicos , enfermeiros e outros profissionais do sector.
Valoriza o papel do arquitecto como elemento coordenador e fulcral, para o ser humano.

A casa deixa de ser espaço unicamente destinado a habitar, passar a ser o local seguro refugio, que terá de ter todas as valências que a cidade fornecia. (?)