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Todos os pensamentos levam a construir.

Quando a mente humana organiza um corpo de pensamentos, fá-lo em termos de
imagética espacial.
O desenho de um edifício é a organização espacial dos pensamentos acerca
das suas funções.
Inversamente, toda a organização de pensamentos assume a forma de uma
estrutura arquitectónica.
Assim, pode dizer-se que todo o bom pensamento aspira à condição da
Arquitectura.
Por isso André Maurois enaltece a principal obra de Marcel Proust, dizendo
que tem a simplicidade e a majestade de uma catedral, e cita, de uma carta
escrita por Proust a Jean de Gaigneron, em 1919:
“Fazia tenção de dar a cada parte do meu livro titulos como pórticos,
janelas de vitral de abside, etc, antecipando a critica estúpida segundo a
qual os livros, cujo unico mérito consiste, como lhe demonstrarei, na
solidez das suas partes mais infimas, carecem de estrutura. Todavia,
renunciei de imediato a esses titulos arquitectónicos porque os achei
demasiados pretensiosos.”

Excertos do pensamento de Rodolf Arnheim no livro A Dinâmica da forma
Arquitectónica