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Ilhavo, Distrito de Aveiro, Portugal . (entre a Ponte da Barra e futura marina) Os vizinhos deste empreendimento de 30 lotes de habitações unifamiliares de programa completo e complexo, são a nascente a ria onde futuramente se situará o marina, que nunca mais sai da forja, a sul e poente a ponte e via de acesso à Barra, e a norte o Empreendimento “Quinta da Barra”.

O contacto partiu de uma colaboração técnica em projecto de um cliente e amigo comum, embora com algum preconceito em relação ao trabalho do arquitecto tal “preconceito” foi desvanecendo à medida que se observava o evoluir do projecto. Creio que no final do mesmo não existiam duvidas sobre a mais valia de recorrer a um técnico especializado como é o Arquitecto, de tal forma que para a habitação própria não houve dúvidas sobre quem ia fazer o projecto.

O deck a sul pretende ser um prolongamento da sala e cozinha podendo ser usado como tal nos meses de verão, e confrontam com a piscina e pavilhão de apoio da mesma, espaço este amplo e a céu aberto constituído por apenas duas lajes e pontualmente vidro nos planos verticais. Exteriormente os materiais usados são a pedra travertino romano, o vidro e o alumínio à cor natural mas acetinado.

Tendo o dono de obra grande domínio em questões técnicas do fora da domótica, energias alternativas, e gestão energética de edifícios essa mais valia é amplamente inserida no projecto e consequentemente na construção.

No sistema construtivo está em duvida o isolamento térmico pelo exterior, e um outro sistema onde a térmica é feita sobretudo pelo interior embora ainda a estudar a solução, que à partida não me parece muito simpática, pois não tira partido da inércia térmica do construção, mas tem que se ver para querer... A sobriedade tanto interiormente como exteriormente é uma das premissas optadas. Também está em analise a aplicação de vidros duplos directamente na construção sem o recurso a caixilhos, mais uma vez a térmica tem que ser estudada em pormenor, assim como a durabilidade e eficácia dos materiais a longo prazo.

Os sombreamentos converteram-se em varandas nos pisos superiores, sendo marcados por material diferente do branco das paredes exteriores, alias os materiais usados é apenas dois o branco do reboco pintado com tintas hidrorepelentes e o alumínio da caixilharia de algumas paredes ventiladas no mesmo material. Para manter e reforçar a sobriedade temos apenas estes dois materiais. Os percursos diários foram cuidadosamente estudados para uma melhor vivência da casa e contribuição para a qualidade de vida. Os percursos exteriores foram também cuidadosamente articulados com o interior, sobretudo com o facto da visibilidade da casa ser sobretudo a norte, poente onde as “vistas” sobre a habitação são mais frequentes.

Esteticamente os volumes respondem ás necessidades do sítio e do enquadramento urbano da solução, resultando num volume que devidamente trabalhado resultará certamente interessante, e tendo em atenção as questões de economia da construção e tendo em atenção a resolução das questões de conforto e térmica através da soluções passivas.

Este espaço além de enriquecimento da luz interior e da vivacidade do jardim acaba por articular a construção sendo visível do hall de entrada, do hall secundário da cozinha da sala e do escritório assim como do piso superior do átrio dos quartos e do quarto principal onde do vestiário e circulação interior também é possível ver o jardim interior. O vestiário é no fundo um quarto de vestir tendo por isso uma área considerável. No piso superior os quartos todos a sul embora o quarto privativo ou suite esteja situado em gaveto sendo por isso favorecido em termos de exposição solar e vistas.

Após as primeiras analises conjuntas, e perante a obrigatoriedade de “remate” do vizinho encostado a nascente, o que até não colha mal pois as principais divisões vão estar a fruir do sul; os quartos, a sala o escritório. A cozinha além do sul tem 3 frentes fruindo do sul poente e norte. Como as vistas a sul também não são ignorar resolveu-se não obstruir a construção principal com a garagem, ficando o carro com a frente da casa, que também está a norte. Para equilibrar a luz na habitação e criar as nuances, que têm sempre um potencial poético e de enriquecimento de espaços, criou-se uma caixa de luz natural que é um “negativo” na própria construção, e que coincide com um jardim interior a céu aberto.

A casa após uma procura de terreno para a construção da casa, acabou por cair num terreno próximo da família de um dos cônjuges. Com uma frente generosa e tendo uma casa e anexos já encostados a nascente, optou-se obviamente por rematar essas construções com a proposta que está a nascer. Estando o logradouro do terreno a sul, o que é muito favorável, todos os espaços de maior vivência foram localizadas assim a sul, nomeadamente todos os quartos no piso superior e a sala escritório, cozinha, no piso térreo. O programa consta de três quartos no piso superior, sendo um deles tipo “suite”. No rés-do-chão, a sala, quarto, escritório e cozinha.

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