Está aqui

A fuga e procura de trabalho por parte dos Arquitectos, não parte só dos recém licenciados mesmo os escritórios de maior dimensão (que diga-se a verdade não passam de meia duzia se tanto) procuram cada vez mais trabalho no estrangeiro quer na Europa quer nos Estados Unidos e sobretudo nos paises de expressão portuguesa , Angola, Cabo Verde , Moçambique, Timor, Macau entre outros. Além da escala e dimensão da encomenda ser de dimensões às quais não estamos minimamente adequados, a burocracia em nada se compara com a nossa. Bloco habitacional da rua Padre Daniel Correia Rama, Verdemilho, Aradas, Aveiro (foto)

Outro dos factores da saida de Arquitectos para o estrangeiro prende-se com o imenso prestigio que a classe profissional tem em todo o mundo fruto sobretudo da "escola do Porto" e de alguns dos seus mestres , como o Arquitecto Ciza Vieira entre outros. Não à gabinete internacional que se preze, que não tenha pelo menos um Arquitecto Português no quadro pelo menos. Tal facto facilita a admissão de Arquitectos recem licenciados por todo o mundo nomeadamente na Europa e Estados Unidos. foto da maqueta do bloco habitacional da rua Padre Daniel Correia rama, Verdemilho, Aradas, Aveiro

As dificuldades burocráticas para licenciar seja o que for, associado a legislação imprecisa e cheia de gafes e subjectividade (optima para dar trabalho aos advogados) fazem os arquitectos desesperar e transitar sempre na "corda bamba". Como se não bastasse cada municipio tem as suas próprias regras e interpretações da legislação, que por sua vez também variam de técnico para técnico camarário. Tudo isto faz do oficio do Arquitecto um trabalho extremamente stressante, desgastante e por vezes frustrante. Grande parte do tempo perde-se na burocracia e não no escritório a fazer aquilo para que se é habilitado - a arquitectura - foto do bloco habitacional da rua Padre Daniel Correia Rama em Verdemilho, Aradas, Aveiro

O celebre decreto 73/73, possibilitou e continua a possibilitar que os curiosos possam assinar os projectos de Arquitectura (assinar não é "fazer Arquitectura") desde os construtores civis diplomados até aos Agentes técnicos, Engenheiros técnicos e Civis todos ficaram possibilitados de "assinar" . Tal só aconteceu porque à epoca a escassez de Arquitectos era muito e tinha que se resolver o problema da falta de profissionais. O que é certo é que como não são profissionais e não se regem por obrigações deontologicas própria da Actividade assinam e vendem a sua assinatura a curiosos, pseudo desenhadores, administrativos, etc. E os Arquitectos que chegam ao mercado não têm trabalho... foto da maqueta do bloco habitacional da rua Padre Daniel Correia Rama, Verdemilho, Aveiro

Aparentemente é uma boa noticia, mas muita desta "exportação" deve-se em primeiro lugar à falta de trabalho que vai diminuindo. Não páram de surgir escolas de Arquitectura cujo reconhecimento governamental é quase imediato, para "aumentar" o sucesso escolar, mesmo que a tal não corresponda uma correcta formação dos profissionais da arquitectura, fica bem nas estatisticas (ao que parece a Ordem não pode "meter o nariz"- dizem que são muite exigentes) . E estes continuam a inundar o mercado. desenho do bloco habitacional da rua Padre Daniel Correia Rama, Aradas, Aveiro

A encomenda surge talvez por muitos dos conhecidos e amigos terem recomendado este escritório de Arquitectura. O existente tinha a casa de dois pisos a precisar obras de manutenção o sobrado já tinha sido substituído por tijolo e o aspecto não era nada atraente. Fez-se o devido levantamento das patologias existentes, estudou-se qual seria o melhor sistema construtivo adaptado ao existente.

Decidiu-se manter a casa apenas substituindo e melhorando o edifício. A parte de sobrado essa sim teve uma intervenção muito profunda, embora mantendo sempre o aspecto de sobrado. A casa tem no piso térreo salão e cozinha e nos pisos superiores quartos e casas de banho de apoio.

O piso é em soalho de madeira de pinho assim como a carpintaria. Manteve-se interiormente a pedra à vista que juntamente com a madeira dá-lhe um aspecto vernacular. O volume do sobrado tem no rés-do-chão, uma sala de apoio de pequenas dimensões casa de banho, cozinha, ampla e piscina coberta.

Como o sobrado estava já estrutura em betão aligeirado de sistema pilar e viga , optou-se por capear com granito algumas partes da construção enquanto que outras foram mesmo executadas em granito maciço por profissionais da zona. Após algumas reuniões as primeiras para afinação e estabelecer o programa, outras para ajustar e desenhar e verificar pormenores construtivos, que foram aferidos em obra.

Tendo em conta a sensibilidade do local, fez-se uma maqueta que serviu para aprovação prévia por parte da Câmara. A construção encontra-se concluída o controle de vistas foi um dos elementos assinaláveis na elaboração do projecto a sul além do controle luminoso criaram-se vãos criteriosamente colocados para fruir das vistas para a aldeia, particularmente sobre o topo da colina onde se localiza a Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Páginas