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O oitavo lote de um loteamento que conheço à muito tempo, iniciado por um colega, talvez á mais de 15 anos e que na altura verifiquei com alguma curiosidade e sentido critico uma vez que me encontrava a estudar no Porto na FAUP, e como nunca tinha tido contacto com um loteamento pois na faculdade os aspectos formais de legislação não são muito valorizados, tive particular curiosidade em o analisar e interpretar.

Encontra-se na fase final de acabamentos promovido pela Firma Gondola L.da e construido por Anibal Sousa é o decimo primeiro lote dos 200 que constituem este loteamento o projecto é da Autoria de José Vitória Arquitectura e o Loteamento e acessos da Autoria de Tomas Taveira e dos seus colaboradores Arquitectos.

O terreno num gaveto com as ruas da cabine e rua do Marco, o sul está no tardoz do terreno. Os quartos estão a nascente, com excepção do quarto privativo que tem a sorte de estar a nascente sul e poente. Todas as restantes divisões abrem para o sul , como por exemplo a lavandaria, a cozinha muito ampla com zona de refeições e confecções, a sala de estar, a garagem e num piso superior está o escritório , quarto, e casa de banho.

O terreno tem tanto de difícil como de aliciante! Com um cadastro difícil, os vizinhos prendaram o terreno com empenas completamente cegas de 6 a 7 metros de altura, e que acompanham o terreno por 20 e 40 metros em cada um dos casos, é como se estivéssemos entre duas muralhas, acrescido da chave abrupta que o terreno tem!

Neste caso iniciou-se o processo com a visita dos futuros donos de obra com a pretensão de adquirir casa a promotores, de todas as visitas que realizaram constataram que nos casos onde existia alguma afinidade com as soluções o projectista era sempre o mesmo este escritório de arquitectura.

As diferenças são mais ocasionadas por motivos externos, isto é por influências e condicionantes naturais ás exigências da altura e a uma realidade que vai melhorando lentamente, e leva a um optimismo moderado, desde que a persistência seja muita. Também a regulamentação mudou muito, sendo hoje muito exigente.

O terreno amplo e que é difícil de adquirir nos tempos que correm sobretudo tão próximo do centro da cidade, das diversas analises ao terreno chegou-se á conclusão que a melhor solução era uma casa térrea estendida ao longo do terreno.A frente em forma de faca com um triângulo muito acentuado, deu um mote para a solução tudo conjugado com uma envolvente sossegada e agradável . O centro da habitação situou-se no meio da proposta, distribuindo-se assim em dois núcleos fundamentais, os espaços de dormir estão sobre a frente da habitação os espaços sociais no tardoz das mesmas, para confluírem no logradouro e fruírem do sul de todo o terreno.

Este trabalho surge com a escolha do terreno, visualmente tem um impacto forte e muito visível do arruamento e tem acessibilidades excelentes, pois uma rotunda a 10 metros permite uma ligação muito rápida a Ílhavo, Aveiro, auto-estrada A-17, e A-1. Por outro lado tem uma dimensão de logradouro considerável o que possibilita um espaço de jardim tardoz ou pequeno Quintal.

Neste caso temos uma planta muito orientada ao pormenor do uso e vivência do dono de obra, um receio quase patológico das humidades levou os mesmos a insistirem no uso de coberturas planas com telha da aba e canudo, não porque seja mais eficaz que a cobertura plana mas porque lhes dá psicologicamente um sentimento de seguranças às patologias das humidades.

Este projecto é muito particular devido ás envolvências, o terreno está 3 metros abaixo da cota da estrada, na frente como se verifica um tráfego de pessoas considerável uma vez que estamos na praça onde se situa a igreja e o centro social. Sendo assim colocou-se cave para poder situar a cota de soleira ao nível da estrada, nessa cave está o estacionamento, arrumos, lavandaria, despensa e divisões técnicas. Os dois pisos organizam-se em L, abrindo-se sobre o sol, foi no entanto necessário criar barreiras visuais para garantir a privacidade e fruição do terreno.

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