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Gabinete: José Vitória Arquitectura

Quinta da Marina, Praia da Barra, Ílhavo, Aveiro. Portugal

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Gabinete: José Vitória Arquitectura

Barrocas, Aveiro. Portugal

 

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Este edifício foi todo construído em LSF e na altura tínhamos mais projetos nesta zona. 

A escolha que recaiu sobre este escritório, aconteceu porque, sempre que questionavam qual a escolha do projectista a fazer, a resposta , foi sempre a mesma. Sorte a nossa…ou mérito.
O programa solicitado e apetência por soluções de materiais inovadores e com referência à arquitectura industrial e preferência de vivenciar espaços fluidos e contemporâneas agradou-nos imenso.
Por sorte o edifício a norte um colectivo com a implantação de um bloco de garagens no tardoz do edifício que se prolongava imenso no terreno, foi uma ajuda a materializar a ideia que fomos trabalhando para a casa .
O edifício vive muito virado para si mesmo desvalorizando a articulação de espaços que “serpenteiam” agarrando-se sempre á preexistência, onde uma sucessão de pátios, e percursos que variam muito com o trabalho da luz , resultando num edifício morfologicamente misto mimetizando o edifício vizinho. Acabou por ser predominantemente térreo mas com um piso superior referenciado ao imaginário dos sótãos .
Da rua apenas de vê o rasgão horizontal onde se situa a garagem. E o remate com o céu é em chapa ondulada, interceptada em vários planos.

Nas primeiras visitas à casa, sozinho, de imediato quis recuperar o existente na integra, adaptando apenas a intervenção ao mínimo para cumprir a regulamentação actual. Fiquei fascinado com a casa, marca uma época, uma forma de habitar, uma memória que queria perpetuar no tempo.
Em reunião com os donos de obra, apercebi-me que o programa era diverso do que estava á espera. A pretensão era um programa misto de habitação e serviços, e de imediato me apercebi que a intenção era substituir o miolo na sua íntegra, por solução construtiva convencional (pilar e vigas com alvenaria e gessos cartonados, não aproveitando o existente, confesso que me doeu a alma….tinha outra expectativa, a recuperação integral do existente.
Procedeu-se ao levantamento arquitectónico do edifício, com uma analise detalhada das patologias existentes no edifício, de facto o estado, das madeiras, dos tabiques, do vigamento em madeira encontrava-se em muito mau estado, devido ao abandono que o edifício teve nos últimos anos. Quantificou-se os custos para a substituição integral do existente, respondendo ao programa, solicitado. Resultado, a falta de mão-de-obra com conhecimento técnico para replicar as soluções construtivas, foi uma dificuldade enorme, e por tal motivo, os custos eram de facto completamente impossíveis de suportar.
Com grande pena minha, partiu-se para a solução já recorrente, e que nunca me agradou, manter apenas a fachada, com a excepção do remate de gaveto com a escadaria e acesso ao arruamento e todo o miolo foi substituído pelo convencional e banal estrutura de pilar e viga alvenaria e acabamentos com gesso cartonado.

A pandemia fez repensar a forma de habitar, ver as pessoas confinadas à sua habitação durante meses, e muitas em teletrabalho, mudou o modo de encarar os espaços a que chamamos habitação.
Curiosamente, a azáfama de trabalho que os construtores tiveram, que cresceu vertiginosamente nestes tempos. Muitas alterações foram feitas, pelos proprietários, era um tal partir paredes para ampliar espaços, a valorização dos espaços com uma ligação interior exterior nunca foi tão valorizada.
Se nas moradias a questão foi mais pacífica, nos espaços urbanos a questão revelou-se mais complicada. Felizmente, as tipologias mais baixas, nunca foram tão desprezadas e quase amaldiçoadas pelos seus utilizadores.
Na minha opinião, ainda bem.
As cidades estão a ser transformadas e invadidas por espaços de áreas mínimas, em muitos casos, nem a área mínima regulamentar cumprem, o T0, no máximo T1, tão do agrado dos investidores, empurram as famílias para as periferias, tornando as cidades, desinteressantes, e vazias da riqueza humana e diversidade de todo o tipo que é o que faz uma urbe.
A varanda e o terraço ganharam uma importância quase vital.
No fundo obrigou a uma reflexão do que é habitar, e como as cidades podem reagir a esta nova realidade.

No fundo, o arquitecto que é um agente também promotor da saúde pública, tem uma oportunidade para repensar, como serão as casas do futuro.

O loteamento, desenhado pela câmara Municipal de Aveiro, fruto de parcerias e permutas para possibilitar a construção da C+S de S. Bernardo.
A volumetria da casa em loteamento é isolada, o que agradou aos meus clientes, a implantação e distribuição da garagem é algo peculiar tornam o lote algo peculiar…., ora ai está o desafio…
O resto foi adaptar o edificado á personalidade do casal e filho, o jogo de volumes, e procura da inovação na articulação entre volumes exteriores, com alguns preciosismos, que vão marcar e identificar o edifício quando concluído.
Acredito que vão adorar fruir a casa, pois é muito à imagem dos donos, aqui a cor também faz as suas maldades e irreverências formais.
Existiu uns anos de diferença, entre o projecto e o inicio da obra, devido à demora na concretização das infraestruturas do loteamento, e registo dos lotes.
Projectou-se também outro edifício unifamiliar no mesmo loteamento, por motivos que desconheço (financeiros e outros que não interessam para o caso) este não vai ser construído, dói sempre não ver nascer mais um filho…
Cada projecto não construído, que felizmente são muito poucos, fica sempre uma sensação de vazio, a vida é demasiada curta, e o legado dos Arquitectos são as suas obras, para o bem e para o mal….
Na parte que me toca, desenho cada edifício como se fosse o ultimo, e por isso tem de ser muito melhor que todos os outros…

MONDRIAN EXPERIENCE
Recorda-me, na FAUP, um professor de desenho, pintor de formação, e orientador da cadeira de desenho, que tive a sorte ter a cargo a minha “turma” (Joaquim Vieira), afirmar, a jeito de brincadeira, “que os Arquitectos, fazem tudo a preto e branco, porque não percebem nada da cor”. A brincar ou não, nunca mais esqueci, nem o comentário, nem o que aprendi com ele, e a sua capacidade de nos fazer entender, a importância do desenho para o projecto, e sobretudo a capacidade que tinha para aproveitarmos as nossas melhores qualidades. De facto sinto-me um sortudo com a maioria dos professores que tive.
Passados. Estas décadas todas, ainda me recordo o comentário, quase maldoso do Mestre Joaquim Vieira….E de facto, o cinzento continua a predominar….É o Branco, e o preto mas acaba sempre tudo muito “cinzento”, cinzento, de conformismo, com uma receita, que predomina. Incomoda-me e irrita-me o “carneirismo” de ir tudo no mesmo sentido desde que politicamente correto…..Agora a vontade de usar a cor é cada vez mais forte…
Aproveitei a encomenda de um bifamiliar, com um programa ambicioso, e que se queria de referência para a firma que trabalhava connosco pela primeira vez, hoje são clientes fidelizados a este escritório.

A casa situa-se em loteamento no Vala das Figueiras, Valongo do Vouga, Águeda.
O lote é de dimensões consideráveis, a ideia partilhada pelos donos de obra era bastante simples, ou melhor tinha uma atitude quase minimalista, nas formas mas também brutalista nos materiais.
A partilha de apartamento, nos tempos de estudante universitária com uma estudante de Arquitectura, foi uma ajuda na definição das intenções para a idealização da casa.
Cobertura de plano único a sair um metro do plano das fachadas em toda a sua extensão , para protecção das paredes exteriores, agradou-me pela ousadia da pretensão.
As paredes exteriores queriam-se em betão á vista.
O interior tem um jogo de volumes com pé direito duplo onde se joga com os percursos e programa, a escada pretendia-se que cada degrau fosse um maciço de betão com intervalos de 5 cm entre cada volume.
Posteriormente introduziu-se mais madeira no exterior, para além da porta principal com porta de dimensões consideráveis e pivotante.
Os espaços sociais são tão amplos quanto possível, com ligação franca entre sala e cozinha ma com a possibilidade de separação dos espaços.
O mesmo acontece com a biblioteca no piso superior em pé direito duplo com acesso por laje em vidro.
Por questões de controle de custos, teve que se alterar alguns materiais, mas nada que desvirtuasse a solução.

A casa entalada em terreno estreito entre duas preexistências, não muito agradáveis , foi um desafio, que correu bem.
Resolveu-se o programa principal no piso térreo , e criou-se um pequeno volume num primeiro piso para dar “vistas” á casa e também para ter um espaço alternativo , que poderá ser uma sala ou um quarto , ou ter outro uso.
O jogo de luzes e volumétrico foi a matriz deste projecto. Resultou a encomenda de um promotor e construtor, deixou-o agradavelmente surpreendido, com o resultado.
Além da “curva”, no piso superior o jardim interior, e variação de palas fechadas umas e “vazadas” outras, ajudou a enriquecer a solução.
Hoje tal solução era de todo impossível com a limitação dos 18 metros de profundidade.
As cores usadas foi o branco com pequenos apontamentos de cinza.
Os interiores, optou-se pela sobriedade, e austeridade, para que resulte numa harmonia global.
Acho que a construção é um elemento que valoriza a rua e a envolvente próxima, podendo ser o mote para futuras construções, com um perfil idêntico de inserção e valorização global da envolvente.
Sobre a condicionante dos 18 metros consulte:
https://peticaopublica.com/?pi=PT103489

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