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Trata-se de uma habitação desenvolvida em piso térreo e com cave que surgiu para aproveitar as diferenças de cotas que o terreno possuía.
O programa é o habitual para um T4, embora a casa seja muito diferenciada.
Na cave além de amplo espaço para estacionamento, tem também área que permite o seu uso como espaço de lazer, apesar de ser uma cave a luz tem um aproveitamento total , uma vez que esta é aberta de topo a topo do terreno , entrando a luz natural por grandes vãos , desde o nascer sol , até ao poente.
O hall, tem diversas características distintivas, desde a escada , ampla e larga, até ao jogo de luz que é filtrada por pérgulas que se prolongam paté ao exterior da habitação.
Para enriquecer o jogo de luzes , criou-se a norte uma janela ampla e situada em altura muito superior á cota da habitação, dai a luz é uniforme ao longo do dia, marca assim o atravessamento na sua perpendicular dos percursos principais da habitação (acesso aos quartos e acesso á área social.
Ainda no hall, diversos círculos de tamanhos variáveis, originam a projecção da luz natural, que vai variando ao longo do dia, e intercepta a pérgula, resultando, numa variação que enriquece o espaço tornando-o muito dinâmico.
Na sala um jardim interior encostado a nascente e com vidro que o envolve, equilibra a luz na sala, culminando no grande vão da sala , partilhada também com a cozinha . no exterior uma sala exterior com churrasqueira, marcado e definido por pérgula e jardim vertical.
As vistas de tardoz ajudam ainda mais a tornar o espaço agradável.

Na alteração do PDM de Aveiro , verificou-se na sua redação final , que as habitações no piso térreo , estavam condicionadas a um máximo de profundidade de 18 metros, o que "mata" á nascença as habitações de piso térreo que são a opção mais pretendidas atualmente por quem pretende construir habitação em moradia. Mas nos blocos habitacionais é possível nas mesmas circunstâncias ter a profundidade de 30 metros. Pelo menos é de toda a justiça que pelo menos nas habitações se possa pelo menos ter igual valor de profundidade. Constatando que o prejuízo para os munícipes , por esta regra , além de injusta e a meu ver não tem um pressuposto técnico capaz de sustentar .Os arquitetos com "agentes de saúde publica" , que também são, conseguem facilmente e com formas e soluções muito criativas , resolver o único pressuposto em que poderia assentar esta regra ; que é a salubridade de edifícios de maior profundidade. Podia fazer sentido á 30 anos ....atualmente não faz sentido.
Assim sendo e constatando a indiferença camarária a estes argumentos, em defesa da Arquitetura, como atividade que no fundo o seu valor maior é promover a qualidade de vida dos cidadãos , decidi, promover uma petição pública refutando o artigo 80 de PDM de Aveiro, com a colaboração de diversos colegas, que se foram juntando para a elaboração da petição , cujo objetivo máximo era convencer o município da injustiça e falta de sentido de tal condicionante. As obras notáveis da história da Arquitetura com esta regra eram de todo impossíveis. Por exemplo os nossos Arquitetos com maior prestigio, quer nacional quer internacional, não poderiam priviligiar-nos com as notáveis habitações de piso único , como por exemplo o Arquiteto Souto Moura , Siza Vieira , Adalberto Dias entre muitos....

Esta casa faz parte de uma serie de muitas que pretendemos revisitar, passados alguns anos de serem construídas e habitadas, o objectivo é perceber como o edifício se está a comportar, e recolher a opinião de quem as habita, agora que passaram já alguns anos para não dizer muitos anos, pois algumas delas têm bem mais de vinte anos.
Surpreendentemente, o ar de satisfação sobre as mesmas tem sido em 100% dos casos muito positiva, incluído a opinião dos amigos e familiares que frequentam os edifícios, é com muita satisfação e é o mais gratificante que um arquitecto pode ouvir.
Quase faz esquecer, as incontáveis horas de trabalho, pela noite dentro, e reuniões a horas em que a maioria dos seres humanos está a descansar, além das incontáveis visitas ás obras e quantas vezes a ajudar a rectificar erros de interpretação de desenhos e também a aprender com quem tem a competência para construir, nas diversas especialidades e subempreitadas. A obra ensina muito e está-se sempre em processo de aprendizagem e partilha das formas de solucionar as propostas desenhadas.

Já com o caderno de encargos pronto, que inclui , o projeto de execução e peças escritas além da arquitetura de licenciamento e as engenharias , encontra-se na fase de recolha de propostas dos empreiteiros, O programa e solução foi muito escrutinada e afinada , aliás como em todos os projetos que fazemos, de forma a que o processo corra bem, com as "despistagens" necessárias e variações de proposta, para que a solução final seja inequivocamente o que os clientes pretendem.
Com um terreno muito generoso em termos de dimensões, e com a particularidade de ter vistas interessantes a tardoz, fruto de uma nascente de água, a diferença de cotas permitiu, trabalhar a relação com o terreno em dois planos.
O programa principal está á cota da rua , e implanta-se em forma de L abraçando o sol que tem entre estes dois planos, o percurso mais favorável.
A cota de baixo tem as garagens e espaço de convívio, mais descontraída , e com materiais que se identificam com uma linguagem de arquitectura industrial brutalista.
As referências, programa e volumetria, foi-se desenvolvendo, com muitas versões, embora a ideia tenha lhes sido transmitida muito cedo , com base nas necessidades e sonhos de ambos .

Foi um processo muito interessante, pois os objectivos dos donos de obra coincidiam com as intenções e opções estéticas para o local, o acaso de um dos donos ser amigo, acho que nada teve a ver.
As soluções, por mais loucas que parecessem eram aceites, não imediatamente mas quase, bastava, justificar desenhando a solução em esquiço, sempre articulando e deixando a perceber a inter-relação entre espaços.
Curiosamente e já estava o projecto pronto, vim a aperceber-me que a casa onde o casal morava tinha sido projetada por mim em parceria com um colega, descobri ao ver fotos numa imobiliária, que apesar de serem discretas, imediatamente identifiquei os pormenores que as fotos permitiam observar.
A volumetria e parte do programa era idêntico, com excepção do último piso, como fazia parte de um loteamento em banda, não tive a oportunidade de interagir com todos os proprietários.
Foi dos primeiros projectos que fiz, e consistia no que inicialmente os promotores queriam era um condomínio privado, por motivos de opção camarária, não foi possível ir por esse caminho.
Partilho em absoluto a postura da câmara da altura de rejeitar este tipo de soluções, pois corre-se o risco, de “retalhar” o espaço urbano com guetos, neste caso para os mais favorecidos…
Atualmente a rua da Quinta da Marina, que curiosamente foi o nome que sugeri ao promotor do loteamento, foi “adoptado” pelo município, após questionar o loteador. Já me posso gabar de ter batizado, mesmo que involuntariamente uma rua.

O projecto dado a peculiaridade da sua dimensão e posicionamento no quarteirão , assim como da envolvente próxima revelou-se de particular dificuldade.
Do programa constava construir um edifício para apartamentos, e foi aprovado, e começada a construção com esse objectivo.
Durante este processo, e conhecendo o gosto que um dos sócios e sua família têm pela Barra e em particular por este local, tentei convencer a transformar o multifamiliar numa moradia.
Parece que a minha insistência deu fruto, e já a obra estava para iniciar, mudou-se o rumo do desenho, e assim surge na versão final, a transformação aconselhada.
Reiniciou-se os desenhos, com o habitual diálogo e depois de muitas hipóteses, lá se chegou á solução final, e inevitavelmente reformulou-se também os projectos das engenharias.

O EDIFICIO CONSELHEIRO QUEIROZ, em projecto, situa-se na rotunda do Eça, como é conhecida, uma rotunda que nasceu para resolver os problemas viários da EN-109, agora em requalificação, para ter um perfil mais urbano, e onde se tem verificado uma serie de intervenções no desenho viário, que resolveram a maior parte das questões, de fluidez e de segurança de trafego automóvel.
A particularidade da localização, e articulação com as volumetrias pretendidas, além da peculiaridade do desenho em “leque”, representa um desafio acrescido. De tal forma que este tem sido fruto de ajustes, de implantação, que obriga a redesenhar o edifício.
A proposta assenta num jogo de volumes materializados em zinco, com desenho, texturas estereotomias e cores diversas, que interrompem e criam dinamismo no desenho curvilíneo do edifício.
A escultura existente no centro da rotunda, foi uma das referências, não tanto pelo desenho, mas sobretudo pela forma como se materializa.
A proximidade, de uma serie de equipamentos assim como, a localização tornam o edifício particularmente apetecível para os investidores.

O sítio é na Gafanha da Encarnação, Ílhavo, distrito de Aveiro, para levar a descrição um pouco mais longe.
Desta proposta, com programa misto de habitação e espaço de serviços, é a prova que as contrariedades acabam por ser meio caminho andado para a melhor solução. Criam desafios e motivações para solucionar o que parece impossível.
Neste caso além do desafio do espaço de serviços, a busca do sol, para os espaços mais importantes foram um grande desafio.
O alongar da solução e criação de percursos alternativos, evitando o cruzamento da vivência privada da casa com os utilizadores dos serviços ajudou á inovação da solução.
O programa, difícil, mas desafiador, acho que resultou.
Com a particular responsabilidade de estar a projectar para clientes, que sempre mostraram grande simpatia, pelo arrojo e inovação dos edifícios realizados neste gabinete, onde “se percebia a autoria pelo traço”.
Devido a dificuldades várias, e que tentei por todos os meios ultrapassar, fomos obrigados a partir para outra solução arquitectónica.

Nesta casa tirou-se partido das diferenças de cotas do terreno, e articulação com as preexistências.
Esse trabalho foi realizado por volumes, que se interceptam, e marcam os pontos mais importantes do edifício, a entrada principal, espaço a abrigo do carro, á cota superior.
Ligando estes volumes elementos, pontuais ligam os volumes e “filtram” e ajudam á sua ligação, como por exemplo , as guardas e reguados de alumínio.
Estas marcam por terem formas dinâmicas, mas com utilidade, possibilitando, ajudar á vivência e uso do interior e exterior.
A cave aconteceu como algo inevitável, a diferença de alturas provocou o surgimento desta, que além de estacionamento, potência a ligação ao terreno, com a criação de espaços amplos , podendo funcionar como sala alternativa, com o inevitável espaço de churrasqueira e lazer.
Na fachada tardoz, para cortar a leitura quase excessiva dos três pisos , as varandas são fechadas em alvenaria, resultando numa leitura mais controlada da volumetria.
Por outro lado possibilita o sombreamento, dos vãos que são de dimensões consideráveis.
Infelizmente, e a pedido do comprador, as guardas “fechadas” foram substituídas por vidro, para não criar atritos, entre o promotor e o cliente a cedi a contra gosto a este pedido.

Situado na Avenida Cândido Dos Reis, em Aveiro, encontra-se concluído o bloco habitacional , de recuperação e construção de apartamentos.
Da encomenda a prioridade era a criação não só de apartamentos, mas que estes fossem de qualidade, quer nos materiais mas também sobretudo na qualidade dos espaços, para proporcionar uma vivência agradável aos futuros proprietários. A aproveitou-se a fachada por exigência camarária, o edifício estava completamente degradado, com as madeiras podres e sem estabilidade para se circular dentro do edifício. A opção foi demolir todo o existente, incluído a fachada, que já com imensas patologias , quer no tijolo quer nas partes em betão onde o ferro estava á vista, ao ponto de ser um perigo para os transeuntes.
Demoliu-se a fachada, que foi posteriormente, reconstruida com os mesmos materiais e desenho igual ao original. Da fachada como o primeiro elemento do edifício e “pele” da solução adoptada, valorizou-se o logradouro tardoz do terreno a grande mais-valia do sitio, criando-se uma passagem quer para os peões quer para o acesso automóvel, interceptado por um saguão, que equilibra a luz , nos apartamentos e marca a entrada principal do edifício.
As tipologias, variam desde o To ao T3, de forma a ter uma ocupação com perfil de proprietários equiparada, evitando o habitual abuso das tipologias baixas e de áreas muito reduzidas.

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